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Profissões & Skills: Dr. Giancarlo Diego Perez Episódio 22

Profissões & Skills: Dr. Giancarlo Diego Perez

· 32:03

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00:00 Speaker 1: Podbear, Olá,
00:12 Speaker 2: sejam bem-vindos ao Podbear, pode falar. Podcast da Mãe Pobre Marília, onde a voz dos alunos encontra a de quem já está trilhando o seu caminho.
00:21 Speaker 3: Oi, eu sou a Miss Dani Gugel, coordenadora do Midoias, e hoje estamos aqui com o Dr. Jean Carlos, pediatra e pai de um dos nossos alunos do sexto ano, o Bernardo. E o Dr. Jean vai compartilhar um pouco conosco da sua profissão, do seu dia a dia, e vamos fazer as relações da profissão dele com o que nós praticamos aqui na nossa escola para os nossos alunos. Bem-vindo, Dr. Jean. Tudo bem, Dani? Bom dia.
00:50 Speaker 2: Dr. Jean, como você consegue salvar vidas com sua profissão?
00:58 Speaker 1: Então, Puglis, essa é uma questão que a gente tem que abordar de duas formas, na prevenção e no cuidado do quadro agudo, daquela coisa imediata. Só um adendo. Além do Bernardo, né Dani? Tem o Francisco, que está no infantil.
01:19 Speaker 1: E tem o Teodoro, que está
01:20 Speaker 3: no quarto ano. Então, tem
01:23 Speaker 1: bastante gente na escola. E aí, Pugliese, essa questão, a gente tem que atuar na prevenção, incentivando um pré-natal, começa antes da criança nascer. Então, a gente incentiva um pré-natal adequado, o melhor parto possível para essa criança. alimentação, o aleitamento materno é um baita alimento que protege a criança de um monte de doenças. A introdução alimentar, os polivitamínicos que a gente começa desde a primeira semana de vida da criança, tudo isso é salvar. E lógico que depois tem aqueles momentos agudos. Tem uma febre, tem vômito, tem dor abdominal na barriga, tem desconforto respiratório. Nessas horas, a gente intervém para aquele momento. imediato quando a gente fala em salvar vidas a gente está falando que começa com a prevenção porque é bem isso quando a gente lida com crianças muito pequenas os acidentes em casa eles podem acontecer a qualquer momento e a gente prevenir esses acidentes é salvar a vida dessas crianças cuidado com produtos de limpeza cuidado com objetos pequenininhos e aquelas crianças que estão começando a andar pela casa é que pode em alcançar esses objetos, colocar na boca. engasgar, então tudo isso faz parte do salvar. E lógico, ensinar os pais a lidar nestas situações de urgência. Então assim, o engasgo, existem manobras específicas, uma intoxicação por algum produto, existem medidas que já dá para a gente fazer em casa e a orientação para qual o melhor serviço procurar. Então a prevenção, a informação já faz parte do salvar vidas. a hora que acontece um momento agudo. É uma febre, é um vômito, é um desconforto respiratório. Quando a gente orienta bem os pais, e esses pais conseguem manter a calma diante de uma situação mais aguda, eles sabem como fazer, sabem onde procurar num serviço de urgência e emergência adequado, e se não é algo que tem que sair correndo para um hospital, vai no consultório, nós vamos avaliar e ver o que essa criança... precisando é assim que a gente se propõe a salvar começa com a prevenção começa com informação com muita orientação e lógico nas situações agudas aí a gente direciona para cada caso tá bom é interessante
03:58 Speaker 3: que é sobre planejamento prevenção e essa prática né e é algo que de certa forma nós também já fazemos aqui na escola né planejamos uma ação Nos preparamos para essa ação, então a gente já vai sempre trabalhando assim do que pode acontecer e o que eu posso trazer para prevenir uma situação e como lidar com aquela situação. É interessante mesmo.
04:26 Speaker 2: Doutor Jean, como o que a gente faz aqui na escola, como por exemplo os trabalhos em grupos ou coisas assim, elas se relacionam com o que o senhor faz na sua vida profissional?
04:38 Speaker 1: Então. Essa questão depende muito do ambiente onde a gente se insere. Por exemplo, quando a gente trabalha em hospitais ou unidades de saúde, ali é impossível você exercer o teu trabalho, a sua profissão, sem a colaboração de todas as pessoas envolvidas. Então, assim, desde a pessoa responsável pela limpeza daquele local... te deixar num ambiente mais confortável, adequado, até toda a equipe de auxiliares de enfermagem, enfermeiros, e aí entra a equipe multiprofissional, psicólogos,
05:23 Speaker 1: Os outros profissionais médicos que nos ajudam muito, dependendo de cada particularidade. Então, assim, hoje, quando a gente está mais no consultório, acaba sendo uma coisa mais individual. A gente precisa também, no nosso consultório, na clínica, de todo mundo nos ajudando. Os outros profissionais que trabalham ali, colaborando com o ambiente mais calmo, mais tranquilo, harmonioso. Quem faz a limpeza, a secretária ou o secretário que nos ajuda, eles são fundamentais para a organização do dia a dia. E, lógico, ali acaba individualizando um pouquinho, mas num hospital ou em outras unidades de saúde, ali o trabalho em equipe faz toda a diferença. Não existe a menor possibilidade da gente fazer as coisas sozinhos. Nós precisamos dos outros para que o cuidado com as crianças caminhe. e de uma forma efetiva. Eu preciso de uma boa equipe de enfermagem para que o acolhimento seja tão bem feito quanto eu estou tentando fazer e a administração daquele tratamento para aquele momento seja o mais eficaz possível. Então assim, o trabalho em equipe, assim como vocês aprendem aqui na escola, ele faz toda a diferença no nosso dia a dia, no nosso caminhar como profissional, independente da profissão. Quem fala que vai conseguir trabalhar sozinho... dificilmente está acertando nessa fala. Então, acho que a gente precisa entender que hoje ninguém faz nada sozinho. Isso está mais do que claro, com certeza.
07:00 Speaker 3: E novamente, a escola já se posicionando nesse mundo, nesse futuro. Os trabalhos aqui, Mari e Puglis, a grande maioria são em grupo. Então vocês dependem. Então a gente já vai trabalhando as competências de vida com os nossos alunos. E isso,
07:18 Speaker 1: Dani, eu acho muito legal. Tem o Raca, que eu acho extremamente assertivo em colocar crianças de idades diferentes no mesmo... projeto, trabalhando em conjunto para o desenvolvimento daquele projeto, né? Como eu e minha esposa, nós somos pais de crianças que estão aqui na escola desde a fundação da escola e a gente pegou tudo isso, então esse projeto, o RACA, é um exemplo, né? Tem tantas outras atividades, mas o RACA, eu acho que ele é muito bacana nesse sentido de fazer as crianças já precocemente entenderem que na vida elas vão lidar com pessoas diferentes de outras idades, de outras culturas. E é assim que a coisa vai caminhar. E que pensam diferente
08:05 Speaker 3: delas. E essa coletividade que vai...
08:08 Speaker 1: Vai ter que ter consenso. Vai ter discussão, vai ter debate. Mas, acima de tudo, para dar certo o projeto, precisa do consenso. E eu acho que está faltando isso na sociedade. A gente perdeu a capacidade de conversar. Então, a gente tem que resgatar isso. E é com as crianças que a gente consegue... colocar para eles resgatarem essa possibilidade da conversa, do diálogo, do debate saudável.
08:35 Speaker 3: E essa série de profissões tem sido muito rica, muito proveitosa para os alunos, porque eles conseguem ver a profissão, vocês profissionais já atuantes há muitos anos nas suas áreas, e ver que o que vocês fazem em termos de habilidades de vida, das competências, para a vida, a gente já trabalha aqui na escola, que é o grande diferencial. Então eles serão grandes profissionais e somado a isso terão a parte técnica, somado a isso tem essas habilidades de vida, que são as soft skills, que são extremamente necessárias hoje e com certeza nesse futuro, no que vem. Não é isso?
09:22 Speaker 3: Doutor Jean, e... Você já errou no seu percurso para se tornar médico, na sua profissão, no desempenho da sua profissão? Você já cometeu algum erro? E como é que foi lidar com esse erro?
09:37 Speaker 1: Essa é uma condição, Dani, que a gente, na graduação dentro da faculdade de medicina, a gente... Não é muito treinado. A gente é treinado para não errar. E quando acontecem os erros, a gente às vezes não sabe lidar com ele.
10:01 Speaker 1: Mas é aí que entra as autoavaliações de todos os dias. Então assim, eu cheguei em casa hoje. O que eu fiz que eu poderia ter feito melhor? Começa por aí. E errar eu já... Cometi alguns equívocos, sim. Ainda bem que esses equívocos não custaram caro, né? Até porque, como eu falei anteriormente, as situações mais agudas, mais graves, a gente precisa ter reavaliações próximas. Reavaliações a todo momento. Então, assim, quando você está num hospital, num pronto-socorro, isso acontece de hora em hora, o tempo todo. naquele período que você está no seu plantão. Quando você está no consultório... ou no ambulatório, você pode se programar para fazer essas reavaliações em tempos mais curtos. Se for algo que está demonstrando que é algo urgente ou emergente, você já encaminha para o pronto-socorro, porque é algo mais grave. Não sendo, mas que precisa de um olhar mais atento, você faz reavaliações dessas crianças a cada 24, 48 horas, para ver se aquela sua conduta está sendo eficaz ou não. E se ela não estiver sendo eficaz, correta, você tem que repensar o seu diagnóstico. Você tem que repensar o caminho. Então, isso também é um exercício de humildade. Na graduação... Mas infelizmente, muitas faculdades e professores não ensinam humildade para os alunos. E a gente é ser humano como qualquer outro. A gente tem dias que nós estamos bons e tem outros dias que a gente não está bom. A gente tem oscilações de humor, a gente tem problemas pessoais e nós acabamos, de uma certa forma, sofrendo a interferência de tudo isso no nosso dia a dia profissional.
12:04 Speaker 1: minimizar isso. Com humildade, a gente reconhece se o caminho não está adequado para reconsiderar o diagnóstico, repensar se nós estamos fazendo direito e mudar o caminho. Então, assim, eu acho que, como eu te falei, a prevenção é tudo. E para o nosso dia a dia, a gente tem que se prevenir da arrogância. A gente tem que se prevenir da soberba. E na faculdade, a gente não é inserido. ensinado a isso. Se você vai para a faculdade sem a base e lá você espera adquirir, você não vai adquirir. Então, em casa é importante a gente já aprender com os pais o que é humildade, o que é o respeito, o que é a empatia, sem sombra de dúvida. E aí, no nosso dia a dia, a gente se policiar para não deixar, até porque a sociedade, muitas vezes, coloca a gente numa outra... qualificação, e isso é a coisa mais boba. Nós somos iguais a todos os profissionais. A gente depende de todos os profissionais e a gente só consegue atuar se a gente tiver ajuda de todos os lados. É o que você
13:17 Speaker 3: falou anteriormente, esse trabalho de equipe. Sem dúvida. Para que o médico... seja bem sucedido, dentro da sua prática, ele depende de uma equipe de profissionais de outras áreas para desenvolver.
13:33 Speaker 1: Sem dúvida. Algumas mais do que outras. Tem áreas dentro da medicina que são muito específicas. Então, assim, eu tenho o cirurgião de mão. É um cara extremamente especializado, capacitado, que vai focar num determinado local. Esse profissional, por mais especializado que ele seja, ele ainda vai precisar de algumas assessorias. Mas quem é mais generalista, como pediatra, a gente... Precisa dos outros e sempre tentar se colocar no lugar do outro. Aquela mãe, aquela família que te procura, aquele pai, aqueles avós, eles estão passando por algum momento de dificuldade. Nem sempre nós vamos conseguir atender imediatamente. Por quê? Pelas demandas e pelas nossas famílias, pelas questões pessoais. Tem isso hoje que a gente também tem que tomar muito cuidado. O imediatismo está sendo uma coisa para todas as profissões. Tudo tem que ser resolvido para ontem. E isso... Propicia mais erros. Isso propicia mais intervenções desnecessárias. Por quê? Porque não se tem a calma, a paciência para entender o processo. Então a gente tem que tomar esse cuidado. E não só para a medicina, para todas as áreas, viu gente? Vocês tomem bastante cuidado com isso. Coloquem os seus horários, coloquem os seus limites, coloquem os momentos que vão ser importantes. que vocês tenham para vocês em qualquer carreira, em qualquer momento. O momento da família, o momento se vocês vão ter filhos ou não, se vocês ainda estarão com seus pais. Tirem momentos que são importantes para passar com essas pessoas queridas do dia a dia de vocês, em qualquer profissão. Isso traz saúde emocional para a gente, saúde psicológica para a gente. O dia a dia está muito arrebatador. O dia a dia está engolindo a gente. Então nós precisamos de pequenos momentos para ter essa pausa, essa tranquilidade. Estar aqui com vocês hoje, para mim, é um desses momentos de tranquilidade. Eu estou aqui podendo ficar mais calmo, mais tranquilo, expor situações que talvez ajudem vocês a escolher melhor lá na frente, sabendo o que vocês vão escolher. Então, tomem bastante cuidado com isso. Não deixem o dia a dia, nem os outros, tirarem a paz de vocês. Que bom, que bom.
16:11 Speaker 2: Doutor Jean, e se você tivesse a minha idade? E o que você ia falar para o seu Jean pequenininho?
16:20 Speaker 1: Você sabe, Puglisi, que a minha infância, eu acho que ela foi maravilhosa. Maravilhosa, maravilhosa. E sem dúvida alguma, é o momento que eu sinto mais falta da minha vida toda. Porque eu tive uma infância muito livre.
16:44 Speaker 1: Andava de bicicleta, soltava pipa. jogava bola, jogava basquete, nadava, então assim, eu acho que era uma infância muito, foi uma infância muito saudável, subia em pé de jabuticaba, pé de goiaba, foi maravilhosa, eu acho que foi assim... O momento mais feliz da minha vida foi a minha infância. Essa é a idade que vocês estão. Na sua idade, no sexto ano, eu me mudei de cidade. E foi um momento muito triste. E sempre com muita autocobrança. Se eu pudesse hoje voltar, eu ia falar pro Jean pequeno, de 11 anos, 12, pra não se cobrar tanto. Não sei se... eu chegaria onde eu cheguei. Porque eu acredito que um pouco de ter chegado até aqui foi por ter me cobrado. Eu acho que tem o seu papel bom. Mas também me causou...
17:53 Speaker 1: Muita dor, dor física mesmo. Eu tinha, por conta de situações, por exemplo, da escola, provas, e vocês acabaram de passar pelas semanas de prova, eu ficava extremamente ansioso, extremamente tenso, e eu vomitava muito, eu tinha muita dor de estômago, ao ponto de na tua idade, na sua idade, eu fiz um exame e eu estava com um monte de pontinho de sangue dentro. do meu estômago, por autocobrança por muita ansiedade de querer ir bem sempre, de ser exemplo pros meus pais pros meus irmãos, então eu tinha essa autocobrança que era exagerada, eu acho que eu ia falar pro Jean com essa idade pra não se cobrar tanto continuar vivendo aquela infância da forma leve que tinha esses momentos que eram muito bons e tentar Também, na escola, fazer ser leve. Não precisava ser tão pesado, tão intenso. Eu morava muito pertinho daqui, em Tupã. E eu estudava em escola pública. Eu sempre estudei em escola pública, até o colegial. E eu sempre ouvi dos meus pais, meu pai e minha mãe. Você precisa ser bom aluno, você precisa se esforçar, você precisa se dedicar, porque lá na frente, na hora do vestibular, o funil aperta. Vai ser uma seleção muito difícil. Então eu fiquei com aquilo na cabeça e eu me cobrava muito. Tinha todos esses momentos que eram maravilhosos de... brincar de jogar bola de se divertir mas a auto cobrança eu acho que foi a coisa que mais a me criou uma casca que às vezes eu sinto que ela é muito dura e eu não quero passar isso para os meus filhos eu não quero eu ainda cobro eles bastante eu exijo deles bastante principalmente questões
20:03 Speaker 1: comportamentais, nem tanto a questão acadêmica, de estudo, mas a parte comportamental mesmo. Eu exijo muito deles. Eu tenho que me policiar um pouquinho em algumas situações que são próprias da infância, são próprias da idade de vocês. Eu não posso querer que os meus filhos, o Bernardo, que tem a sua idade, pense como eu, que já tenho quase 45. Então, eu tenho que entender que a cabeça de vocês está nesse processo. Eu, lá atrás, me cobrei muito. Eu não quero que eles se cobrem tanto ao ponto de sentir o que eu senti. Então, eu falaria para mim... diminua um pouco da sua autocobrança. Você vai alcançar, você vai chegar, continue se dedicando, mas você não precisa sofrer para chegar onde você chegou. Acho que eu ia falar isso.
20:54 Speaker 3: É viver um dia de cada vez, é se planejar, é ter aquele foco em mente e ir se preparando. Não precisa... necessariamente ser com tanta intensidade, eu acredito. Eu acho que é fazer um pouquinho cada dia. E desde que eles entram na escola e você já tem essa experiência com seus filhos, eles já vivenciam isso desde o Bear Care. Eles já são ali estimulados a um processo, claro que dentro da expectativa da faixa etária, de autonomia, de resolução dos conflitos que vão surgindo e isso vai se estendendo. Hoje a gente está no Middle East e... Daqui a pouco a gente está no High School. E isso a gente vai sempre trabalhando. São os pilares da nossa metodologia. E preparando e trazendo esse processo de tranquilidade. Porque desafios vão fazer parte das nossas vidas sempre. Então é como a gente lida. É como a gente se prepara. É como a gente se planeja.
21:51 Speaker 3: É como a gente se treina para esses desafios. Então aos pouquinhos a gente vai fortalecendo esse processo. Claro que sempre em parceria com as famílias. fortalecendo para que essas habilidades técnicas e socioemocionais
22:12 Speaker 3: estejam cada vez mais
22:14 Speaker 1: desenvolvidas
22:17 Speaker 3: e amadurecidas para um momento como o ingresso na universidade, para a escolha de uma profissão, para o desenvolvimento de um projeto. Então, acho que vocês encontram esses desafios também, né, meninas? Quando a gente traz uma proposta que... Está um pouco mais difícil ali, gera inicialmente um incômodo, mas a gente vai dando a base para vocês, dando suporte para que vocês consigam desenvolver. E tem, assim como o Jean passou, relatou para a gente, desse processo das tentativas e acertos, dos erros, da cobrança, existem também, vocês vão vivenciando isso nessa fase e a gente vai mediando. Vocês conseguem relacionar com alguma coisa que vocês já vivenciaram aqui na escola?
23:04 Speaker 2: Acho que o hackathon. O
23:06 Speaker 3: hackathon, né?
23:08 Speaker 2: Precisa fazer bastante coisa, né? Sim. Então é mais complicado. Teve um trabalho de história que a gente fez. Aí eu chamei as pessoas do meu grupo para ir para a minha casa. A gente trabalhou todo mundo em grupo e isso foi legal porque a gente teve mais interação.
23:33 Speaker 2: A gente não era tão próximo, mas aí a gente meio que ficamos brincando, interagimos. Isso é bem legal, por causa que a gente é colega de classe. E eu acho
23:50 Speaker 1: que isso, Glisa, eu acho que é...
23:54 Speaker 1: quando vocês têm esses trabalhos para fazer, realmente não focar só no período da escola, fazer isso fora da escola. Nós, que somos de um outro tempo, a gente não tinha o acesso, não tinha tecnologia como vocês têm, então a gente tinha que correr muito atrás. Nós íamos para as bibliotecas, a gente ia em grupo para a biblioteca, sentava na mesa, a gente copiava as coisas, e o que não dava tempo de copiar na biblioteca, quem podia, porque nem todo mundo podia, tirava xerox, levava para as casas, em casa a gente se reunia e ia montando todo mundo junto. Então, eu acho que essa questão social, ela era muito mais intensificada, além do que era feito na escola, fora. Porque fora a gente estava junto o tempo todo. A gente estava sempre fazendo algo em grupo.
24:52 Speaker 1: Hoje, por conta das questões tecnológicas, tem muita facilitação. Eu posso estar em grupo, cada um na sua casa. E isso, eu acho que, de uma certa forma, tem o seu lado bom, mas... É um prejuízo, porque o estar junto, quando você está lá e acabou o trabalho, ou cansou, o que vocês vão fazer? Vão brincar, vamos dar um tempo, vamos tomar um lanche, vamos brincar um pouquinho, depois a gente volta. Então, assim, eu acho que isso faz muita diferença. Nós vivemos isso. Vocês, com tudo que vocês têm aqui na escola, talvez vocês percam um pouquinho disso. E é importante esse resgate. É importante trazer isso para o dia a dia. Por quê?
25:34 Speaker 1: viva, pós-pandemia, essas questões do home office, e tem muitos trabalhos que já foram estabilizados em home office, a questão social faz diferença. É o dia a dia, olhando no olho, tocando, conversando, vendo as expressões que a gente entende o outro, que a gente consegue se colocar mais no lugar do outro. Então, isso que vocês fizeram, vocês estão de parabéns. Tentem fazer mais vezes isso. É muito bacana. Isso que você pontuou, Dani, com relação ao que a escola oferece, é impensável, na minha época, nessa idade, de ter um serviço socioemocional como é o disponibilizado aqui na escola. Então, assim, a gente passava pelos perrengues todos, sofrendo sozinho, ou no máximo com a família, e a ajuda que... que a gente tinha de fora era muito difícil, além de ser muito custosa. Então, hoje, uma escola que pode oferecer esse serviço, e eu até acredito que as escolas públicas estão já colocando profissionais nesse sentido para ajudar os seus alunos, não só porque é a Maple Bear, mas eu acho que as escolas públicas estão vendo com esses olhos, eu acho que faz toda a diferença, justamente porque... com as suas coisas boas, afastou a socialização. Então, resgatar isso é importante. A escola oferecer esse trabalho, essa assessoria, essa assistência para as crianças e para as famílias, eu acho que é fundamental para dar certo. Disso eu não tenho dúvida. Sem
27:20 Speaker 3: dúvida. E a tecnologia vem e é a realidade para a vida deles no futuro. Não vai haver a vida deles sem essa tecnologia. E parte desse processo de trabalho da escola é trazer essa educação digital também. Eles aprenderem a usar esses recursos, quando usar, como usar, e não esquecer desse lado tão importante que você trouxe, que é a socialização, é o estar junto, o máximo de tempo possível.
27:50 Speaker 2: Doutor Jean, e como que ia servir a sua profissão no futuro?
27:56 Speaker 1: Eu acho que a gente não vai ser engolido pela tecnologia. Eu acho. Por quê? Porque o olhar, o tocar, o explicar, eu acho, Mário, que vai ainda ser importante. Quando eu falo da pediatria especificamente, é muito difícil... Fazer uma consulta online, por exemplo. Até existem situações pontuais que a gente consegue fazer para dar alguma orientação. Mas o exame físico, ele faz parte da consulta. E não tem como ele ser substituído. Não tem como, de longe, alguém fazer o exame físico por você. Então, assim, como que eu vou...
28:52 Speaker 1: orientar uma mãe que fala para mim que o filho tá com dor de garganta ou fala que o filho ou a filha está com a aparência de estar cansado, sem olhar a garganta, sem auscultar a parte pulmonar e cardíaca dessa criança. Então, eu acho que no futuro nós vamos ter mais ajuda tecnológica no sentido de, talvez, exames que vão direcionar para coisas mais específicas. Eu acho que isso já é uma realidade e vai ser mais aperfeiçoado. Eu acho que mais para o futuro... a gente vai ter mais ajuda ainda com relação às vacinas. A gente vai ter vacinas ainda melhores. E olha que as que a gente tem hoje são espetaculares, são excelentes. Mas a gente vai ter coisas ainda melhores. Porém, no que diz respeito ao cuidado, eu acredito que ele ainda é insubstituível. O ser humano, olhando para outro ser humano... tocando em outro ser humano e explicando, se colocando no grau de compreensão daquela família para fazer da melhor forma, para fazer de uma forma acessível. Então, eu acho que com todos os avanços, ainda, o olhar, o toque, as informações, eu acho que elas não vão ser engolidas pela tecnologia. Eu acredito que o acesso que as famílias têm às informações, podem...
30:25 Speaker 1: criar dúvidas, criar mais angústia, mais ansiedade, mas se essas famílias procurarem profissionais que saibam orientá-los nas melhores fontes, naquilo que é mais adequado de lerem, de se informarem, eu acho que dá para caminhar de uma forma junta, conjunta, para o melhor do desenvolvimento. da criança em termos de saúde física e emocional e da própria família. Então eu acho que ainda a gente tem bastante trabalho pela frente. A tecnologia vai nos ajudar em coisas pontuais, mas não vai substituir o olhar, o toque, a relação. Eu acho que esse é o futuro dentro da pediatria especificamente.
31:12 Speaker 3: A relação humana sempre vai ser... E deve ser o ponto mais importante, né? Essa relação, essa empatia, o olhar, o cuidado com todos. Então, doutor Jean, a gente queria agradecer muito a sua presença, compartilhar um pouco do seu dia a dia, do seu percurso, enquanto médico, pediatra. Mária, obrigada por ter compartilhado aqui conosco, o Fuglise também, muito obrigada. E a gente encerra aqui.
31:44 Speaker 3: mais esse episódio do nosso Pode Bear, Pode Falar, da série Profissões. Até a próxima!

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